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	<title>Irmãs Klink &#187; livro</title>
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		<title>Por que Vitória detesta o Tubarão?</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Aug 2018 08:43:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário de bordo]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
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		<description><![CDATA[por Tamara Quanto vale estar numa cidade e poder ver o céu tocando o mar? Quanto vale abrir a janela e deixar entrar em casa o vento do oceano? Quanto vale acordar e respirar ar limpo? O grito dos remadores me acordou. Era 7 da manhã, e nosso veleiro estava ancorado em frente ao Iate [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">por Tamara</p>
<p>Quanto vale estar numa cidade e poder ver o céu tocando o mar? Quanto vale abrir a janela e deixar entrar em casa o vento do oceano? Quanto vale acordar e respirar ar limpo?</p>
<p>O grito dos remadores me acordou. Era 7 da manhã, e nosso veleiro estava ancorado em frente ao Iate Clube do Espírito Santo. </p>
<p id="f487" class="graf--p graf-after--p"><span id="more-5101"></span> Saí, pra ver as equipes de canoa havaiana, os windsurfs, os outros veleiros envolta do nosso. Eu moraria nesse lugar, pensei, ingênua.</p>
<p>Vitória me intrigou. Linda como poucas, mora perto do continente e é vizinha do oceano. Praias de água quente, calçadões pra passear, montanhas. Mas, ao andar, meus pés limpos estamparam pegadas pretas no chão. Partículas de um pó preto se espalhavam pelo barco. Impregnadas na cobertura, na vela, na janela. Dentro do pulmão. Passei a manter as janelas sempre fechadas, como fazem todos os capixabas pra controlar a sujeira que vem pelo ar.</p>
<p>Como outras cidades do Brasil, Vitória sofre as consequências da nossa estratégia econômica de exportação de minério bruto. De cara pra cidade está o Porto Tubarão, onde chegam navios de carvão e de onde saem, todo dia, parte dos maiores carregamentos de minério de ferro do mundo. Pedaços geográficos do nosso país. Partículas de minério e carvão vestem a cidade com um manto escuro. No mar, são comidas por moluscos. Comidos por pessoas. Pela gente.</p>
<p>As chaminés ardentes da mineradora redesenham o horizonte. Braços do complexo portuário, esteiras, navios, preparados pra levar embora a riqueza mineral do nosso país. Com o minério, China, Europa, Japão, compram não apenas matéria prima: compram de nós a qualidade do ar, compram o vento nas casas, compram a vista, perdida.</p>
<p>Difícil estimar os benefícios do Porto pra Vitória. Empregos são gerados, decerto. Mas essa atividade cada vez menos precisa de mão de obra humana, e cada vez mais contrata pessoas especializadas sem que elas, necessariamente, morem ali. Além disso, minério acaba, um dia. Gera recursos financeiros pra gestão pública? Pode ser. Mas quanto recurso é necessário pra compensar o bem estar e a saúde das pessoas que moram no lugar?</p>
<p>Deixarei nessa cidade perguntas sem resposta.</p>
<p>Amanhã, nossa âncora será suspensa. Por último, vou levar nosso lixo pra terra, trazer água doce, frutas frescas, e sairemos daqui olhando só pra frente. Como fazem os grandes navios, partirei, carregando apenas o que a cidade teve de melhor. Enquanto tiver.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Não queria ser criança</title>
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		<pubDate>Sun, 01 May 2016 21:42:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Antártica]]></category>
		<category><![CDATA[Diário de bordo]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
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		<description><![CDATA[- Tamara Era um auditório de uns 70 lugares, cheio de seres humanos com uma mão e meia de anos. Falavam, no palco, três meninas de mais ou menos duas décadas sobre experiências vividas há uma e um livro escrito há meia. Uma das leitoras não entendia como as 3 palestrantes e as 3 crianças [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="p1" style="text-align: right;">- Tamara</p>
<p class="p1"><span class="s1">Era um auditório de uns 70 lugares, cheio de seres humanos com uma mão e meia de anos. Falavam, no palco, três meninas de mais ou menos duas décadas sobre experiências vividas há uma e um livro escrito há meia.</span></p>
<p class="p1"><span class="s1">Uma das leitoras não entendia como as 3 palestrantes e as 3 crianças do livro podiam ser as mesmas pessoas. Não eram. Sem saber disso, declarou &#8220;queria que vocês fossem crianças&#8221;.</span><span id="more-4947"></span></p>
<p class="p1"><span class="s1">O &#8216;<i>Férias na Antártica</i>&#8216; foi fruto de diários, fotos, desenhos e invenções de meninas que descobriam a península de um continente em que poucos adultos pisaram. Tiveram o privilégio de sentir a monumentalidade e a inércia de geleiras quilométricas, e na apaticidade dessas geleiras, a força do seu próprio movimento. Imprimiram aquele sentimento num livro. Que contraditório. Marcar a sensação de eternidade com uma tatuagem no mercado editorial, um corpo que não é delas, até porque este ainda era (é) provisório. </span></p>
<p class="p1"><span class="s1">As consequências disso foram provadas logo. Viver implica estar eternamente em mudança, revendo coisas ditas, desconstruindo pensamentos e redigerindo a memória. Como eu poderia falar sobre um modo de ver o mundo que não me pertencia mais? Revi, desconstruí, redigerí, cresci. E as 3 meninas escritas perderam o corpo de gente para o de papel &#8211; e pensamento. </span></p>
<p class="p1"><span class="s1">Negar o crescimento é recusar a abertura de portas, o levantamento de pontes, construção de eclusas &#8211; aqueles &#8220;elevadores&#8221; de barcos num canal. Aos poucos fui saindo, atravessando e subindo, e passei por lugares em que as tais meninas nunca estiveram. Apropriei-me delas para entender as experiências novas, roubei seus conhecimentos para entender os de outros, e rompi o movimento de encenação do passado pra atar a conciliação ao mesmo. Por isso não queria ser criança outra vez. Ainda há muito pra aprender crescendo.</span></p>
<a href="http://www.irmasklink.com.br/categorias/diario-de-bordo/" class="submit submitTheme" title="GOSTOU? AQUI TEM MAIS">GOSTOU? AQUI TEM MAIS</a>
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