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	<title>Irmãs Klink &#187; drake</title>
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		<title>Sublimação intransponível</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Apr 2016 17:07:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Antártica]]></category>
		<category><![CDATA[Diário de bordo]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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		<description><![CDATA[- Tamara Pra onde o Pacífico e o Atlântico pelo Sul conversam, damos o nome de Drake. O encontro, no veleiro, é medido em dias: 7, na vela, ou 3, no motor. Prefiro chamar de conversa do que de discussão. Às vezes, os dois oceanos brigam como pais e filhos falando de política. São dias [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="p1" style="text-align: right;">- Tamara</p>
<p>Pra onde o Pacífico e o Atlântico pelo Sul conversam, damos o nome de Drake. O encontro, no veleiro, é medido em dias: 7, na vela, ou 3, no motor.</p>
<p>Prefiro chamar de conversa do que de discussão. Às vezes, os dois oceanos brigam como pais e filhos falando de política. São dias de cama e jejum, sem sair nem pra ir ao banheiro.  Outras vezes, os oceanos falam de música, de arte, de café. Nesse caso, o mar vira azeite, o barco quase não mexe e parece que nem saímos dos canais chilenos.</p>
<p class="p1"><span id="more-4935"></span></p>
<p>Quando éramos menores, nós três (e a Gigi, nossa amiga) forrávamos a sola da bota com papel toalha, e aproveitávamos o balanço pra escorregar pelo compensado naval do salão. Se caíamos no buraco da cozinha tinha chororô de 5 minutos até escorregarmos outra vez. Meu calcanhar de Aquiles era (e ainda é) sentir aquele cheiro de diesel sufocante, amargo e opaco vindo do aquecedor da cozinha. Tanto medo tinha do cheiro que não saía na cabine de comando nem pra domir. Não era boba: lá dava pra ver o mar e conversar com quem fazia o turno da vez.</p>
<p>No estreito de Drake se intensifica a rigidez, o agrupamento e a ordenação fixa dentro do barco. Como moléculas de água no estado sólido, não saímos muito do lugar. Quando as ondas crescem, quebramos o grupo em pedaços e não nos vemos por dias. Já se o mar acalma, ficamos fisicamente conectados no sofá da cabine de comando.</p>
<p>Raramente navegamos sozinhos. Petréis e albatrozes nos acompanham, voando sem parar. Uns com outros, fazemos piadas, contamos histórias, trocamos dicas anti-enjoo [&#8220;olha o horizonte&#8221;, &#8220;come maçã&#8221;, &#8220;toma remédio&#8221;, &#8220;deita&#8221;, &#8220;põe pra fora&#8221; (é o que mais resolve)] e apostamos quem vê o primeiro <i>iceberg</i>.</p>
<p>De certa forma, o Drake ajudou a preservar a Antártica: se fosse fácil chegar, não teria levado tanto tempo para se confirmar a existência de um &#8220;Anti-Ártico&#8221; no Sul da Terra. Não seria tão intocado, desconhecido.</p>
<p>Também não seria tamanha a alegria de estar lá: Destinos alcançados sem barreiras têm graça efêmera.</p>
<p>Lá está o <i>iceberg</i>. Primeiro sinal de uma enxurrada de maravilhas que vêm à tona: pinguins acompanhando o veleiro, focas de <i>weddel</i> em pedaços de gelo, montanhas (Terra!), e às vezes, baleias. Ocupamos toda a área disponível a bordo: tem festa na cozinha, correria no convés, penteado de cabos no salão, concerto de equipamento na garagem, e planejamentos de toda ordem em todo o lugar. Somos livres pelo espaço.</p>
<p>A presença do primeiro iceberg é o ponto que separa o estado mais rígido do mais volátil da viagem. E, por isso, essa mudança é tão sentida. Precisamos provar a dor pra, nas coisas belas, ver o sublime.</p>
<a href="http://www.irmasklink.com.br/categorias/diario-de-bordo/" class="submit submitTheme" title="GOSTOU? AQUI TEM MAIS">GOSTOU? AQUI TEM MAIS</a>
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