<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Irmãs Klink &#187; crescer</title>
	<atom:link href="http://www.irmasklink.com.br/tag/crescer/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.irmasklink.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sat, 11 Aug 2018 10:32:02 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
		<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
		<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=4.0.38</generator>
	<item>
		<title>Desvendar Parafusos</title>
		<link>http://www.irmasklink.com.br/desvendarparafusos/</link>
		<comments>http://www.irmasklink.com.br/desvendarparafusos/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2016 22:58:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Paraty]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[crescer]]></category>
		<category><![CDATA[Paratii2]]></category>
		<category><![CDATA[Travessia]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.irmasklink.com.br/?p=5038</guid>
		<description><![CDATA[por Tamara Tinha um vão entre o costado do paratii2 e a draga à qual estávamos atracados. Pulei o vão e corri para a draga feito um macaco pra dar o último abraço nos meus pais, Irmas e nossas amigas, Cris e Tamara, que em silêncio já sabiam desde o começo, na nossa chegada à [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="graf graf--p graf--leading" style="text-align: right;">por Tamara</p>
<p id="a7ed" class="graf graf--p graf--leading">Tinha um vão entre o costado do paratii2 e a draga à qual estávamos atracados. Pulei o vão e corri para a draga feito um macaco pra dar o último abraço nos meus pais, Irmas e nossas amigas, Cris e Tamara, que em silêncio já sabiam desde o começo, na nossa chegada à Abrolhos, que aquilo iria acontecer.</p>
<p id="444b" class="graf graf--p graf-after--p">Olhei pras caras do Rafael e do Danilo esperando a indicação de que sairíamos. Motores ligados, toda a tripulação (de 3) no convés em silêncio. “Tem que ter o feeling”, disse o segundo.</p>
<p id="f487" class="graf--p graf-after--p"><span id="more-5038"></span></p>
<p id="c1e9" class="graf graf--p graf-after--p">Que raios de feeling, meu Deus? O de ter desfeito compromissos, rasgado a passagem de volta e ver partir o grupo de pessoas com quem eu vim — sem mim?</p>
<p id="40f8" class="graf graf--p graf-after--p">Na primeira vez que, com voz quase infantil, pedi pra minha mãe pra ficar no barco até Paraty, ela disse “A gente veio junto e volta junto”. — Eu não tive a menor chance contra a sabedoria irrefutável dessa ideia fixa. No dia 23 de outubro, às 10 da manhã, segurei as alças da minha mochila vermelha para conduzi-la até a van que nos levaria ao aeroporto de Rodrigo de Freitas. Muito a contragosto, enfiei no pé o tênis e sentei pra amarrar os cadarços. Fiz questão de ser a primeira a estar pronta e a ultima a sair, como sempre — talvez só pra provocar. Vi quando minha mãe sentou ao meu lado, já com tudo no carro, e perguntou “Tem certeza que quer ficar?”</p>
<p id="9144" class="graf graf--p graf-after--p">Tive a sensação de que um cinto sufocava a boca do meu estômago.</p>
<p id="e91e" class="graf graf--p graf-after--p">Estrangulei minha euforia. Mentalmente tracei uma estratégia, fiz ligações para desmarcar compromissos indesmarcáveis e pesei as perdas acadêmicas causadas pela minha ausência. Tinha medo de responder — no fundo, ela ensaiava, pelas minhas ideias, sua confiança.</p>
<p id="e7d6" class="graf graf--p graf-after--p">O feeling. Agora eu era oficialmente um dos 3 que soltavam os cabos de atracação. Meus pés, já novamente descalços, eram empurrados pela reação da força peso do meu corpo correndo pelo EVA do convés — O mesmo convés em que 7 anos antes brincava com minhas irmas com neve austral. Aquele Drake foi a última longa travessia que fiz ali, e agora corria atrás dos cabos e do tempo pra compensar sonhados anos de navegação não consumados.</p>
<p id="11d2" class="graf graf--p graf-after--p">Nos afastamos do cais e eu vi que não tinha a menor chance de retorno. Ajudei o Rafael a subir as velas assim que deixamos o canal de Caravelas — eu meio envergonhada por não saber a função de cada cabo que puxei. Com força. Pulei pra dentro do barco pela gaiuta e limpei a cozinha o melhor e mais rápido que pude, pra ter tempo de perguntar pros outros 2 o porquê de cada coisa. <em class="markup--em markup--p-em">Qual a contribuição relativa das velas? Por que não abrir as genoas? Qual a relação da profundidade com o tamanho das ondas? Por que varia o som dos motores? E quando acabam os problemas — a gente faz o quê?</em></p>
<p id="5018" class="graf graf--p graf-after--p">Torci secretamente pra surgirem novos pepinos que me deixassem assistir sua solução. E não tenho do que reclamar: participei da tentativa malograda de tirar a genoa da proa — que, por não sair, acabou nos dando meio nó de velocidade a mais, vi o monitoramento de um vazamento de diesel que logo foi resolvido com a troca de todos os canos, entendi como esvaziar o porão da casa de máquinas que tinha de água, e acompanhei o djibe louco que estourou o preventer depois de uma quase colisão frontal com um navio babaca que não quis mudar de rumo apesar da nossa insistente sinalização e evidente preferência.</p>
<p id="7ae5" class="graf graf--p graf-after--p">Se a princípio eu não tinha turnos noturnos, acabei tapando vários buracos quando dos meus colegas exaustos — por vezes por mais de 4 horas na madrugada.</p>
<p id="c283" class="graf graf--p graf-after--p">Não conseguia mesmo dormir. Nem de noite, quando via a lua minguante com quem queria se casar o rato da música que cantei com a Marininha no dia anterior. Cansei de comer tapioca, pensando nas missões frustradas mas nunca inconclusas, que eu e a Laura cumprimos de acertar a forma da massa.</p>
<p id="6a3b" class="graf graf--p graf-after--p">Arrisquei um diário em video, pra de algum jeito conversar com minha mãe sobre os sucessos da viagem e levar ela pra dentro do barco. E, depois de dobrarmos as esquina em cabo frio, passarmos pela Ponta da Joatinga, e eu ficar encarregada da roda do leme até a Ilha da Bexiga, ainda estava lá.</p>
<p id="eb75" class="graf graf--p graf-after--p"><strong class="markup--strong markup--p-strong">A gente veio junto e volta junto. </strong>O barco da minha vida tem o meu pai em cada parafuso. Todo clique fotográfico é um preito à nossa cultura familiar de fazer registros — e o diário de cada um tem um pouco de todo mundo.</p>
<p id="5120" class="graf graf--p graf-after--p">Ao chegarmos à marina do engenho, ajudei a esticar os cabos sobre o cunho — e não foram os mesmos os pés que saltaram o vão entre a popa do barco e o flutuante. Se tem muito [muito] chão pra eu desvendar as razões de ser do Paratii2, ao menos agora eu sei que posso fazê-lo. Obrigada, pais — se sou criança nas vontades mas não nos compromissos, prometo tornar-los testemunhas de que consigo fazer o vão entre meus sonhos e o mundo terreno</p>
<p id="3ea9" class="graf graf--p graf-after--p">mais pequeno.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.irmasklink.com.br/desvendarparafusos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Desencontro</title>
		<link>http://www.irmasklink.com.br/desencontro/</link>
		<comments>http://www.irmasklink.com.br/desencontro/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 06 Aug 2016 22:46:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Antártica]]></category>
		<category><![CDATA[Diário de bordo]]></category>
		<category><![CDATA[Antartica]]></category>
		<category><![CDATA[crescer]]></category>
		<category><![CDATA[tesouro]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.irmasklink.com.br/?p=4975</guid>
		<description><![CDATA[-Tamara Aquele gesto fatal decerto melhor seria se mantido omisso, não fosse a indelicadeza gratuita em declarar, por intermédio de gerados, certas conquistas pessoais post mortem. Devido ao desejo de ambas as partes em manter supostas afinidades, parece-me custoso expor à luz da pena a semente do desconforto — embebido em conveniências. Faz-se necessária a ressalva de [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="graf--p graf-after--h3" style="text-align: right;">-Tamara</p>
<p id="65e7" class="graf--p graf-after--h3">Aquele gesto fatal decerto melhor seria se mantido omisso, não fosse a indelicadeza gratuita em declarar, por intermédio de gerados, certas conquistas pessoais <em class="markup--em markup--p-em">post mortem.</em> Devido ao desejo de ambas as partes em manter supostas afinidades, parece-me custoso expor à luz da pena a semente do desconforto — embebido em conveniências. Faz-se necessária a ressalva de que nada tenho contra o intermediador de tal notícia, o qual, ademais, parece-me gente de bem. Dessa forma, proponho-me a discorrer de tal modo que eu mesma possa digerir a causa de tal rodeio memorialístico.</p>
<p id="f487" class="graf--p graf-after--p"><span id="more-4975"></span>Ao que me lembro, não haviam outros barcos naquela baía rodeada de gelo. Não posso afirmar com absoluta certeza — posto que já são corridos 10 anos desde a data mencionada — mas era um desses lugares que sentem o odor humano poucas vezes num século. A nervosa voz do nosso comandante não deixava dúvida de que aquela era a última chance “Se querem mesmo deixar um tesouro, que o façam antes da partida nos motores”</p>
<p id="796d" class="graf--p graf-after--p">Mentindo estaria ao afirmar que me lembro do conteúdo do bem, afinal de contas, fizemos o tesouro às pressas, mas me é cristalino que foi, dentro do possível, criteriosa a seleção dos ícones do sacrifício e da alegria de estar lá. Algo como urso de pelúcia, fotos, rolo de filme não revelado, um dente caído na viagem, algum dinheiro e whisky, depositados com desenho e bilhete dentro da caixa pelican neon.</p>
<p id="396a" class="graf--p graf-after--p">A escolha do lugar foi pensada para não dar margem aos esforços da natureza subtraírem nossa coleção. Checamos a inclinação do solo, a chance de neve, a incidência solar e abandonamos, no ponto escolhido, a caixa laranja e a dúvida sobre jamais voltar pra resgatá-la.</p>
<p id="19f0" class="graf--p graf-after--p">E, de fato, voltamos três anos depois junto à ambição de encontrar nosso bem. A marcação de GPS, a identificação dos marcos de referência e os três dias de tentativa não foram o suficiente para o sucesso da operação de busca. “Devemos dar por encerrada a procura. Não adianta.” As três meninas — já não mais tão meninas — não criam nos pais; de certa forma estava ali o rastro de quando executar esse tipo de ideia tosca ainda fazia sentido.</p>
<p id="bf6d" class="graf--p graf-after--p">Era a viagem do achamento, que nunca ocorreu. E por anos frustrou-as o não encontro, ainda não sabiam, desencontro. Até uma tarde de sol em algum lugar como Ilhabela, onde veleiros voam trazendo notícias inesperadas. Mas não foi no mar, não, foi numa rua asfaltada qualquer que um homem cruzou com uma das meninas e disse:</p>
<p id="71ef" class="graf--p graf-after--p">— Meu pai, falecido, encontrou seu tesouro!</p>
<p id="eb70" class="graf--p graf-after--p">Como quem vê cair do céu um piano, a menina pos-se a pensar se o problema era ela ou o mundo. Era o mundo, que prosseguiu.</p>
<p id="c1f0" class="graf--p graf-after--p">— Ah, ele não entendeu a caixa e jogou as coisas fora. Tirando o dinheiro… e a garrafa de whisky.</p>
<p id="0393" class="graf--p graf-after--p graf--last">O valor de um tesouro não está no preço das coisas, mas na história que se atribui a ele.</p>
<a href="http://www.irmasklink.com.br/categorias/diario-de-bordo/" class="submit submitTheme" title="GOSTOU? AQUI TEM MAIS">GOSTOU? AQUI TEM MAIS</a>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.irmasklink.com.br/desencontro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Na verdade,</title>
		<link>http://www.irmasklink.com.br/na-verdade/</link>
		<comments>http://www.irmasklink.com.br/na-verdade/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 25 Jun 2016 21:25:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Antártica]]></category>
		<category><![CDATA[Paraty]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Antartica]]></category>
		<category><![CDATA[crescer]]></category>
		<category><![CDATA[sonho]]></category>
		<category><![CDATA[Travessia]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.irmasklink.com.br/?p=4969</guid>
		<description><![CDATA[- Tamara O sonho é um monte de neve guardado num potinho. Na minha jornada pela superfície da Terra, colecionei suspiros, vi derreterem-se tesouros e reguei a fé que eu mesma assassinei. Minhas utopias materializadas tornaram-se desilusões banais. E me perguntei se era assim que as estrelas morriam, se fazendo visíveis. Mas não. Algumas estrelas [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">- Tamara</p>
<p>O sonho é um monte de neve guardado num potinho. Na minha jornada pela superfície da Terra, colecionei suspiros, vi derreterem-se tesouros e reguei a fé que eu mesma assassinei. Minhas utopias materializadas tornaram-se desilusões banais. E me perguntei se era assim que as estrelas morriam, se fazendo visíveis. Mas não. Algumas estrelas expostas na areia da praia podiam  viver, se devolvidas ao mar a tempo.<span id="more-4969"></span></p>
<p>Nesta mesma areia, desenhei os veleiros que via partir. Sabia que encontravam gelo, neve, ondas gigantes e baleias maiores ainda, e me enfiava nos barcos através dos rabiscos que fazia ali. Desenhos, <i>desígnios</i>, intenções. E tais intenções foram &#8211; quase que magicamente &#8211; atendidas quando veio do pai um convite.</p>
<p>— Quer viajar comigo?</p>
<p>Minha Nossa. Tão nova na insciência de tentar entender o mundo, senti tangível a realização de um sonho. Era óbvio que eu queria ir &#8211; queria ouvir o timbre dos meus desenhos. Assim que a maré subiu, os projetos saíram do papel e se conformaram no veleiro que me convidara pra viajar.</p>
<p>Preenchi a meia eternidade do trajeto contando ondas, aves marinhas, e ripas* de madeira do teto da cabine. Na verdade, contei mais ripas do que qualquer outra coisa, dado o balanço do barco. Tendemos a vegetar quando a boca está sob a constante ameaça de receber o almoço vindo do estômago.</p>
<p>Não me sentia sozinha, muito pelo contrário. Tinha a impressão de que na minha cabine estavam todos os motores e bombas do barco, rugindo. A única forma de fazer o silêncio ser ouvido, o barco sair da embriaguez e as ripas fazerem jus à sua desimportância, era manter a fé de que o projeto seria construído.</p>
<p>Eu tinha o privilégio do tempo imensurável. O relógio era inútil se não para entender a altura do sol. A velocidade nada dizia sobre o progresso cartográfico, uma vez que tempestades podiam vir de repente. Por isso, pude passar dias compilando mentalmente as imagens estimadas da terra dos viajantes, sem saber o quanto elas me frustrariam.</p>
<p>Nessas imagens, o vento não era motivo de dor. Também não era penoso o trajeto. Não pensei que a perda de sentido nos dedos seria preocupante. Não chorei de frio. Eram outras as velocidades, as escalas. E entrava agora pelas minhas narinas, pela minha boca, pelos furos dos pelos do meu braço, um odor glacial. Seco. E me dei conta de que mais que tudo, meu sonho não tinha cheiro.</p>
<p>Ao pisar em terra firme, deixei meu sonho &#8216;concretar-se&#8217;. Toquei a neve e senti a frustração da mãe que vê crescer no filho autonomia. Meu projeto assumiu uma identidade que não previu meu traço.</p>
<p>Peguei um punhado de neve, uma mini monte. <i>A fé move montanhas</i>. E enfiei num potinho que trazia no bolso do casaco. Levaria meu sonho comigo, acontecido.</p>
<p>Dentro do barco, peguei o recipiente e o examinei antes de por na mala. Só tinha água. Sonhos realizados não os são. Abri a tampa e joguei o seu conteúdo no ralo da pia.</p>
<p>Não movi montanhas com minha fé &#8211; aquela mini montanha tinha me movido. E lembrei de jogar a estrela de volta pro mar pra dar a ela a chance de viver. Voltamos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*ripas &#8211; tiras compridas e estreitas de madeira</p>
<a href="http://www.irmasklink.com.br/categorias/diario-de-bordo/" class="submit submitTheme" title="GOSTOU? AQUI TEM MAIS">GOSTOU? AQUI TEM MAIS</a>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.irmasklink.com.br/na-verdade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Nota Sobre o Amor</title>
		<link>http://www.irmasklink.com.br/nota-sobre-amor/</link>
		<comments>http://www.irmasklink.com.br/nota-sobre-amor/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 22 May 2016 18:55:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário de bordo]]></category>
		<category><![CDATA[Paraty]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[crescer]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.irmasklink.com.br/?p=4958</guid>
		<description><![CDATA[- Tamara Foi sequestrado em Paraty. Corria ávido pela praia do engenho e, ao nos ver, veio dar em cima. Aquela coisa de pedir carinho, se esfregar na perna e correr atrás do galho que a gente atira. Pelo estado, não tinha dono &#8211; enfiamos na caçamba da picape e pegamos estrada. Paramos na cachoeira [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">- Tamara</p>
<p>Foi sequestrado em Paraty. Corria ávido pela praia do engenho e, ao nos ver, veio dar em cima. Aquela coisa de pedir carinho, se esfregar na perna e correr atrás do galho que a gente atira. Pelo estado, não tinha dono &#8211; enfiamos na caçamba da picape e pegamos estrada.</p>
<p>Paramos na cachoeira da estrada de Cunha. Foi lá o batizado e o banho de água doce pra tirar o excesso de lama com areia dos olhos. Água sagrada de Paraty, padrinho, madrinha e nome: Rufus.<span id="more-4958"></span></p>
<p>Agora era oficial, e foram oficiais 4 horas pra chegar em casa. Ele escorrendo pela caçamba &#8211; quente e fechada, ainda por cima &#8211; a gente escorrendo pelo banco de trás, na estrada de argila que orávamos pra não desbarrancar. Checamos de 50 em 50 quilômetros se estava tudo bem. Estava, chegamos.</p>
<p>O processo civilizatório foi difícil, mais pra nós que pra ele. Rufus não entendeu que dentro da casa era lugar de gente, e que, portanto, não é pra marcar território. Não aprendeu a passear junto a mim &#8211; causando sérios constragimentos quando eu marquei encontros no parque; exímio artista, talhou com dentes os pés de todas as mesas e cadeiras da sala; ávido leitor, engoliu jornais antes mesmo do amanhecer. Fomos maus jesuítas e não catequizamos nem convertemos: ele ainda corre atrás de passarinhos &#8211; e come.</p>
<p>As visitas, que desconhecem seu lado selvagem, ficam babando. Depois das vacinas, banho, tosa e microcirurgia pra tirar os bernes na cabeça, confesso que ficou bem bonitão. Acho que ele sabe o ciúmes que causa na gente enquanto abraça quem só dá carinho e não tem que ser tirano.</p>
<p>Ele não tem utilidade. Não faz truque, não passeia, não acha nem esconde coisas, e tem dificuldade pra pegar graveto porque não ouve, cheira nem vê direito.</p>
<p>Certa vez ouvi que os relacionamentos de hoje duram pouco porque a gente espera que o outro nos faça feliz, e não espera ficar bem fazendo feliz o outro.</p>
<p>Acho que meu casamento com o Rufus perdura por isso: ele só serve pra amar.</p>
<a href="http://www.irmasklink.com.br/categorias/diario-de-bordo/" class="submit submitTheme" title="GOSTOU? AQUI TEM MAIS">GOSTOU? AQUI TEM MAIS</a>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.irmasklink.com.br/nota-sobre-amor/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Não queria ser criança</title>
		<link>http://www.irmasklink.com.br/nao-queria-ser-crianca/</link>
		<comments>http://www.irmasklink.com.br/nao-queria-ser-crianca/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 May 2016 21:42:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Antártica]]></category>
		<category><![CDATA[Diário de bordo]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Antartica]]></category>
		<category><![CDATA[crescer]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[Travessia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.irmasklink.com.br/?p=4947</guid>
		<description><![CDATA[- Tamara Era um auditório de uns 70 lugares, cheio de seres humanos com uma mão e meia de anos. Falavam, no palco, três meninas de mais ou menos duas décadas sobre experiências vividas há uma e um livro escrito há meia. Uma das leitoras não entendia como as 3 palestrantes e as 3 crianças [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="p1" style="text-align: right;">- Tamara</p>
<p class="p1"><span class="s1">Era um auditório de uns 70 lugares, cheio de seres humanos com uma mão e meia de anos. Falavam, no palco, três meninas de mais ou menos duas décadas sobre experiências vividas há uma e um livro escrito há meia.</span></p>
<p class="p1"><span class="s1">Uma das leitoras não entendia como as 3 palestrantes e as 3 crianças do livro podiam ser as mesmas pessoas. Não eram. Sem saber disso, declarou &#8220;queria que vocês fossem crianças&#8221;.</span><span id="more-4947"></span></p>
<p class="p1"><span class="s1">O &#8216;<i>Férias na Antártica</i>&#8216; foi fruto de diários, fotos, desenhos e invenções de meninas que descobriam a península de um continente em que poucos adultos pisaram. Tiveram o privilégio de sentir a monumentalidade e a inércia de geleiras quilométricas, e na apaticidade dessas geleiras, a força do seu próprio movimento. Imprimiram aquele sentimento num livro. Que contraditório. Marcar a sensação de eternidade com uma tatuagem no mercado editorial, um corpo que não é delas, até porque este ainda era (é) provisório. </span></p>
<p class="p1"><span class="s1">As consequências disso foram provadas logo. Viver implica estar eternamente em mudança, revendo coisas ditas, desconstruindo pensamentos e redigerindo a memória. Como eu poderia falar sobre um modo de ver o mundo que não me pertencia mais? Revi, desconstruí, redigerí, cresci. E as 3 meninas escritas perderam o corpo de gente para o de papel &#8211; e pensamento. </span></p>
<p class="p1"><span class="s1">Negar o crescimento é recusar a abertura de portas, o levantamento de pontes, construção de eclusas &#8211; aqueles &#8220;elevadores&#8221; de barcos num canal. Aos poucos fui saindo, atravessando e subindo, e passei por lugares em que as tais meninas nunca estiveram. Apropriei-me delas para entender as experiências novas, roubei seus conhecimentos para entender os de outros, e rompi o movimento de encenação do passado pra atar a conciliação ao mesmo. Por isso não queria ser criança outra vez. Ainda há muito pra aprender crescendo.</span></p>
<a href="http://www.irmasklink.com.br/categorias/diario-de-bordo/" class="submit submitTheme" title="GOSTOU? AQUI TEM MAIS">GOSTOU? AQUI TEM MAIS</a>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.irmasklink.com.br/nao-queria-ser-crianca/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
