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	<title>Irmãs Klink &#187; África do Sul</title>
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		<title>Cedo ou tarde, vamos ter que admitir: o pó existe</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Aug 2018 08:48:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Tamara No carro há mil horas. Marininha já me provocava se espalhando pelo banco de trás, a linha de frente da coxa avançando sobre o risco divisório entre o campo do meu banco e campo do banco dela. Eu não levantaria a voz tão cedo. Foi minha ideia fazer a família atravessar a Namíbia [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">por Tamara</p>
<p>No carro há mil horas. Marininha já me provocava se espalhando pelo banco de trás, a linha de frente da coxa avançando sobre o risco divisório entre o campo do meu banco e campo do banco dela. Eu não levantaria a voz tão cedo. Foi minha ideia fazer a família atravessar a Namíbia de carro. A Laura dormia profundamente com a bochecha esquerda enterrada no vidro e o pé esquerdo na minha perna direita. Aguenta. Mais um pouco e chegaremos a algum lugar com gente.</p>
<p id="f487" class="graf--p graf-after--p"><span id="more-5107"></span></p>
<p>Bonita, mas a vista cansava a vista. Enquanto a centopéia do nosso trajeto crescia na tela do GPS, a paisagem mudava quase nada. Era como navegar num oceano congelado de tão lento. As dunas do deserto da Namíbia, ondas imensas de cor laranja-incêndio. Nosso carro, um barco microscópico sem chance de mudar o rumo. Um caminhão, um antílope, uma placa de proibido-parar-zona-de-diamantes, só. A cabeça da centopéia começou a quase tocar a moldura da tela, e vimos saliências ortogonais e formas reconhecíveis nascentes da areia. Casas pequenas e casas grandes, telhados pra neve da Alemanha, pra cobrir pessoas da Alemanha e interesses da Alemanha em explorar diamantes no início do século passado.</p>
<div class="mceMediaCreditOuterTemp alignnone"><img class="size-medium wp-image-1153" src="http://www.esquina.net.br/wp-content/uploads/2018/01/janela-1-of-1-3-551x413.jpg" alt="" width="551" height="413" /></div>
<p>Saímos da clausura do carro pra andar pela cidade imersa no infinito. Ondas de areia lavaram portas e janelas de Kolmanskop. Tomou celeiros, quartos e salas de baile. Encheu banheiras onde europeus tomaram banho até esvaziarem das dunas os preciosos motivos de estar ali. Antes deles, apenas povos nômades moravam na areia. A imagem de dessa cidade responde por quê: o perigo de navegar em tempestade é querer parar o barco em ondas que se movem. As dunas se movem.</p>
<p>Deve ser isso que pensa o faxineiro do museuzinho de Kolmanskop, que hoje recebe visitantes entusiasmados. Obrigado a combater a natureza com uma vassoura e uma pá, ele nega o quanto pode que a cidade é mais fraca que o mundo. Mas olha ao seu redor e sabe: cedo ou tarde, teremos que admitir que o pó existe.</p>
<p>Voltei pro carro com areia nas fendas do tênis, conformada a me encaixotar por mais uma hora entre minhas irmãs. Só é possível cruzar o deserto em poucos dias se formos mais coisa e menos gente. Nos acostumamos a cercar lugares de paredes, cercar espaços de paredes, cercar corpos de corpos e de paredes, e a graça de cruzar linhas imaginárias e, incrível, voltar a vê-las e saber que, diante dos gigantes, paredes insistem.</p>
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		<title>Namíbia</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2016 22:09:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[- Tamara Confesso que demorei muito pra ler o livro do meu pai. Na primeira vez que li Cem Dias Entre Céu e Mar, estava na 4a série, e li numa dessas viagens de 4 horas indo de Paraty pra São Paulo. Com a estrada de Cunha caindo literalmente aos pedaços, as notícias sobre trânsito [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">- Tamara</p>
<p>Confesso que demorei muito pra ler o livro do meu pai. Na primeira vez que li Cem Dias Entre Céu e Mar, estava na 4a série, e li numa dessas viagens de 4 horas indo de Paraty pra São Paulo. Com a estrada de Cunha caindo literalmente aos pedaços, as notícias sobre trânsito e andarilhos da BandVale, e a pouca luz do entardecer, convenhamos que não foi com a atenção digna que meus olhos correram tais páginas. E talvez, na época,  Desventuras em Série soasse um pouco mais interessante.</p>
<p class="p1"><span id="more-4694"></span></p>
<p class="p1"><span class="s1">Na primeira vez que li direito, era o começo do Ensino Médio. Muita gente dizia que o livro torna pessoas determinadas a tomarem grandes decisões. A decisão que eu tomei foi de não conter palavras, gritos, pesquisas no google, e visitas à operadoras de turismo perto de casa, pra saber como se chegava em Luderitz (do modo convencional).</span></p>
<p class="p1"><span class="s1">Assim começou a viagem para a cidade de onde partiu o IAT. Pra várias pessoas, ele pode ser um barco micro que um cara sem noção usou pra fazer uma viagem arriscada que, por sorte, deu certo. Mas o barquinho à remo é hoje a minha certeza de que mesmo as ideias mais absurdas do meu pai, a gente tem que levar a sério. E as nossas próprias também.</span></p>
<p>Já que íamos pro sul da África, minha mãe, que faz questão de ver bicho, nos levou para um safári no Krugger Park (uma reserva com vários animais nativos daquela região da África do Sul). Meu pai não se interessou pelo “programa turístico”, e deixou que fomossemos nós 4. Eu gostei bastante da experiência, mas depois de uma semana passeando na mesma estrada, vendo os leões no mesmo lugar (sempre dormindo e bocejando), e ao lado de 30 pessoas que só viam os bichos pelo visor da câmera fotográfica (ou em casos extremos, pela discreta tela do ipad) fiquei desconfiada de que meu pai não estivesse tão errado. Mas gostei mesmo assim e valeu a pena e eu voltaria lá hoje mesmo, se eu pudesse.</p>
<p class="p1"><span class="s1">Encontramos o Amyr no aeroporto de Windhoek. Instalamos a cabine de comando terrestre no painel do carro. As funções se dividiram dentro do veículo: piloto, coopilota, engenheira de navegação, fotógrafa e reserva (para turnos). Viajar de carro com a nossa família é uma coisa engraçada. Meus pais têm uma discussão a cada 15km porque meu pai decidiu secretamente fazer 1000km em um dia e minha mãe viu um passarinho com o bico laranja que ela nunca tinha visto em uma cerca na estrada bem onde tinha aquela árvore com as flores lilás e quis fotografar. Mas tudo bem, porque meu pai reclama na hora, mas depois é na palestra dele que as fotos vão parar. (Não todas, claro, se não a palestra teria milênios de duração, mas algumas a cada 100 repetidas)</span></p>
<p class="p1"><span class="s1">Os desertos eram sem fim. E de muitas formas, cores e tons de areia. Tive a sensação de estar vendo a Antártica com filtro laranja, e bem quente. De vez em quando, cruzava a estrada um antílope. Não sei como ele sobrevive entre tantos quilometros sem um pé de árvore ou um fio d’água. Levávamos o piquenique na picape, pra paradas estratégicas fora da área proibida de diamantes.</span></p>
<p class="p1"><span class="s1">Estranhamente, Luderitz batia EXATAMENTE com a sua descrição desatualizada em 30 anos. Meu pai ficou até espantado, porque conhecia todas as ruas, sabia onde as lojas ficavam e até quem eram os proprietários, que ainda serviam no balcão. Tivemos um jantar histórico com as pessoas que participaram do começo da travessia, contribuindo com ou dificultando ela, mas fingimos que não importava mais, porque agora eram todos senhores simpáticos.</span></p>
<p class="p1">No fim, dos 21 dias de viagem, os melhores foram numa cidade, pequena, parada no tempo, e com um vento assustador. Talvez porque de todos os lugares, era aquele o único em que a nossa família tinha uma história. Ficar numa mesa ouvindo senhores de cabelos e barbas desbotadas falando sobre outros, uma viagem que não existe mais, me fez acreditar que, quando cidades se transformam, animais se escondem ou se extinguem, e pessoas que se vêem todo dia se conhecem cada vez menos; amizades breves, distantes e feitas numa viagem com data para acabar, são a fonte mais próxima de reencontro com uma experiência antiga.</p>
<p class="p1"><span class="s1">Quem sabe aos 60 anos eu também não tenha uma Luderitz de onde meu mini barco partiu.</span></p>
<p class="p1"><div class="flexslider" style="width:930px; height:524px; "><ul class="slides"><li><img src="http://www.irmasklink.com.br/wp-content/uploads/2016/02/IMG_57281-930x524.jpg" alt="" /><p class="flex-caption">As paisagens de areia eram sempre diferentes e surpreendentes</p></li>
<li><img src="http://www.irmasklink.com.br/wp-content/uploads/2016/02/IMG_44941-930x524.jpg" alt="" /><p class="flex-caption">O movimento dos carros na estrada fazia desenhos no ar</p></li>
<li><img src="http://www.irmasklink.com.br/wp-content/uploads/2016/02/IMG_35751-930x524.jpg" alt="" /><p class="flex-caption">Às vezes tinha a impressão que as pessoas só viam a paisagem indiretamente</p></li>
<li><img src="http://www.irmasklink.com.br/wp-content/uploads/2016/02/IMG_52102-930x524.jpg" alt="" /><p class="flex-caption">Kolmanskop se ergueu a partir da exploração dos diamantes. Na 1a guerra foi abandonada e engolida pela areia</p></li>
</ul></div></p>
<p class="p1"><a href="http://www.irmasklink.com.br/categorias/diario-de-bordo/" class="submit submitTheme" title="VEJA OUTRAS EXPERIÊNCIAS">VEJA OUTRAS EXPERIÊNCIAS</a></p>
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