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	<title>Irmãs Klink &#187; Vitória</title>
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		<title>O Mundo em Poucas Linhas</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Aug 2018 10:18:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[-Tamara Escrevo como uma draga come o fundo de um canal. E come um rio, e come um fundo de mar inteiro. É meu tempo que drago ferozmente, ao tatuar meus dias nos maços de papel. Escrevo anos há anos, mesmo sem ter vivido tantos assim. E eu já sei: jamais lerei um quinto do [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">-Tamara</p>
<p>Escrevo como uma draga come o fundo de um canal. E come um rio, e come um fundo de mar inteiro.<br />
É meu tempo que drago ferozmente, ao tatuar meus dias nos maços de papel.<br />
Escrevo anos há anos, mesmo sem ter vivido tantos assim. E eu já sei: jamais lerei um quinto do que escrevi.<br />
Isso porque ao ler o passado eu não me reconheço. E pois não quero admitir que nele eu me vejo demais.</p>
<p id="f487" class="graf--p graf-after--p"><span id="more-5184"></span><br />
Não suportaria saber que em tantos anos eu erro as mesmas crases, largo incompletas frases, repito as palavras preferidas e tendo a rimar rimas pobres sem razão.<br />
Eu tinha 8 anos quando minha mãe me disse assim:<br />
&#8211; Toma esse caderno em branco e escreva sobre o dia. TODO. DIA.<br />
E eu peguei o elemento de capa verde com glitter e um mini cadeadinho no canto e falei:<br />
-  Tá bom.<br />
Estávamos de férias em um veleiro a caminho da Antártica. E eu queria saber como nadavam os pinguins, se a never ao cair do céu tinha a forma de uma estrela. Eu era criança, mas precisaria orquestrar minhas vontades entre a aventura e a disciplina. Pela primeira vez na vida, eu recebia a missão ingrata de passar uma parte do tempo passando a limpo o que aconteceu. E o fiz. Com os anos, o desafio de escrever virou compromisso, e o compromisso virou um amor sem o qual eu não sei ser.<br />
Enquanto teço este texto que veste meus pensamentos, um painel de botões e números me conta os perigos do oceano. Vencemos onda a onda lentamente, e o vento nos puxa para longe da costa. Poderia durar pra sempre, eu penso, a ação de avançar sem fim. Um dia encerra a noite anterior, o sol nasce sobre a chuva e as nuvens grandes fazem a sombra passear no nosso barco. Mas o painel de instrumentos diz outra coisa: falta muito pra chegar, há pedras submersas no caminho, um navio avança em nossa direção e é tarde. Os números me dizem o que meu corpo não sente: estou há horas demais sem dormir.<br />
Algo me lembra de falar deste momento. Tento me decifrar como os números tentam decifrar o mar. Mas é difícil, pois o diário é um jogo de tradução e omissão. É preciso dar à lembrança o corpo das palavras. É preciso fazer um mundo caber em poucas linhas. E é preciso entregar a precisão ao esquecimento. O caderno tem folhas finitas, o papel pesa na mão, e o minuto descrito dura o mesmo que o minuto de escrever. Se tentássemos guardar tudo, o dia seguinte seria sempre o registrar do dia anterior até<br />
pararmos<br />
no<br />
tempo<br />
.<br />
.<br />
e os pinguins nadarem lá fora, a neve cair, e o dia escorrer como as estrelas de gelo escorrem pelo convés do barco, sem platéia.<br />
Eu me entrego ao desafio de me conter, apesar de saber que não lerei meus diários todos. Mesmo assim, cada um tem seu lugar na estante desse barco. Por déficit habitacional, alguns moram em puxadinhos sobre seus vizinhos. Outros, dormem entre seus pais e avós, bem apertados. Na minha ausência, a estante será o resumo das versões que eu assumi. Acumulo os cadernos de viagem como minha mãe guarda meus desenhos de criança com macarrão cru e massinha de modelar colada. Acumulo na tentativa inútil de conter o tempo. Incontinente.<br />
Enquanto minhas mãos me lembram que faz frio, e meus lábios trazem o sal do mar à boca, eu me dou conta de que o registro não fala do passado; pela sua própria natureza, ele fala de agora. Do que vêm à cabeça quando o sol ressurge atrás dos montes molhados, quando tememos enjoar ao encarar um ponto fixo, e quando estamos em guerra contra a tensão branca do papel. Por isso, não preencho os cadernos para lê-los um dia, preencho por preencher e os guardo como troféus de batalhas vencidas. Cada folha ocupada, um império. Quando estão em pilhas, cada um é diluído entre os semelhantes. Sozinhos, um único pesa mais que todos juntos.<br />
E o escrito mais pesado de todos é o que escrevo agora.<br />
Eu levei todos os textos da minha vida para escrever este. Pois o produto final de cada registro é o próximo registrar.<br />
Escrever diários é difícil por que todo dia tem uma chance de eternidade. E outra chance, ainda maior, de sumir para sempre. Ele pode ser lido por gerações ou pode se perder no caminhão de mudança. E é por isso que acumulamos tanta coisa tosca.<br />
Nunca esqueci uma reportagem da tevê sobre um jabuti reencontrado depois de 30 anos. A família do jabuti acumulou tanta coisa na casa que o animal se escondeu nos objetos e foi da infância para vida adulta sem ser notado. Numa faxina geral, ele foi achado vivo: uma pisadela e um beliscão do passado com presente. Como o texto no miolo dos cadernos de viagem, o bicho dentro da casca tem vida própria e passeia sozinho pelas casas das pessoas que o possuem.<br />
E isso nunca foi claro para mim até começar a publicar meus diários no meu canal do YouTube (youtube.com/TamaraKlink). O novo formato nasceu de um desafio: aprisionar palavras que estavam fora do meu controle. O tom do meu cansaço, do medo, do tédio profundo e da falta de assunto ao navegar. Alguns audios viraram vídeos, e do mar foram parar no ar. Escrevo agora, no invisível.<br />
Escrevo por escrever. Mas preciso admitir que mora em mim uma mini esperança que registrar vai frear o escorrer do tempo. Aqui, minhas preocupações são visíveis: o rumo, as pedras, os outros barcos. Eu estou exausta, e troco horas de sono por horas sonhando acordada. Me sinto sozinha, e converso com as ondas, comigo mesma, com amigos infinitos imaginados. Minha maior vontade é chegar, e meu maior medo é o fim da travessia. Por isso, crio um universo paralelo e controlado. Talvez assim seja possível represar nas minhas mãos o agora, conter cada instante nesta memória, e deixar aberta a porta do ontem pra quando quiser voltar.<br />
Não voltarei.<br />
E ao escrever, esqueço que drago o tempo de dentro pra fora, no canal, no rio, no mar profundo.<br />
Como o som das ondas lambendo o casco, o texto só existe enquanto for ouvido. E se quiser matá-lo, vire essa página. Para sempre.</p>
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		<title>Navios são cidades provisórias</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Aug 2018 08:59:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Antártica]]></category>
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		<description><![CDATA[por Tamara Os corredores do navio eram extensões das ruas da cidade. O barco deixava o cais com a dificuldade de uma criança que começa a desmamar. Se da cidade bebeu água limpa, provisões e combustível, agora, feito uma criança grande, partia só e lentamente, sem ter como ser carregado. Em Ushuaia, as ruas e [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">por Tamara</p>
<p>Os corredores do navio eram extensões das ruas da cidade. O barco deixava o cais com a dificuldade de uma criança que começa a desmamar. Se da cidade bebeu água limpa, provisões e combustível, agora, feito uma criança grande, partia só e lentamente, sem ter como ser carregado.
</p>
<p id="f487" class="graf--p graf-after--p"><span id="more-5125"></span></p>
<p>Em Ushuaia, as ruas e corredores brotavam do mesmo olho d’água que era o porto. Nele a cidade nasceu e pra ele estava virada inteira. Dos mirantes presos ao barranco, dos degraus das suas calçadas inclinadas, era a vista mais instigante o edifício flutuante. Ele dormia no ancoradouro. Logo eu dormiria nele.</p>
<p>Enfiei meu cartão magnético na fenda leitora de cartões magnéticos e esperei a luzinha verde aparecer pra poder entrar na cabine. Uma fila de pessoas levando malas-tamanho-mudança fazia pressão para eu dar espaço na passagem estreita. Vermelha, vermelha, nada de luz verde, isso tinha que acontecer bem agora! Estacionei nossas malas no corredor e corri em direção à recepção, deixando pra trás um estrangulamento na via principal. Escada ou elevador? Me arrependi de ter escolhido a escada porque eram muitos os andares até lá.</p>
<p>Desci um lance, três, doze e me vi num pátio industrial escuro em frente a botes de borracha, motores desmontados, garrafas de óleos e peças sujas. Para então na minha frente um sujeito vestido com macacão azul e fones anti-qualquer-som-do-planeta e, antes que eu pudesse entender o seu figurino, ouço um som rouco e ensurdecedor que fazia tremer o chão. Gritei em silêncio com os lábios e as mãos “What’s this?” Era o som dos motores ligados. Naquela tarde, era o som da partida.</p>
<p>Subi dois pavimentos e encontrei novamente o carpete azul marinho que gramava os ambientes servidos aos passageiros. Passo por um homem sentado no chão com cara de mar. Uma mulher com um carrinho de bebê vazio falava ao telefone em língua desconhecida. A dupla de homens de colete de moletom e walkie-talkies andava com os olhos sobre pranchetas e desviava de mim, que desviava de um bebê sentado numa piscina de creme de milho na frente da recepção. Pode escanear de novo esse atestado…os dois comprimidos são do dia e à noite são…tenha paciência, é a quinta vez que eu falo…acho que cai o presidente antes da final…Miss. Miss. Is there anything I can help you with? A chave! Peguei a tal, desviei do bebê e voltei a derivar pela malha acarpetada do navio.</p>
<p>No terço da frente do barco estavam os espaços comuns. No restaurante, no café, no bar, nos sofás de ficar observando o mar, pessoas liquidificavam suas histórias de tempos e lugares variados. Era completamente diferente da zona exclusivamente residencial dos quartos. Fria, vazia e sem graça, ela esta era acessada por um corredor central que parecia um longo túnel de portas. Nele, estavam as três malinhas e, em posse da chave certa, enfiei-me na cabine com elas todas.</p>
<p>Fechei a porta dos 10 metros quadrados com banheiro incluso. Sentei no sofá-cama-prateleira-porta imã de geladeira e fiquei pensando em como tornaria aquela caixa estéril um refúgio pra três pessoas. A luz do sol argentino desenhava no carpete azul a forma circular da esquadria. A minha irmã pisou no desenho do chão sem vê-lo e gritou para irmos ver a desatracação.</p>
<p>Corremos pelo corredor perimetral aberto e vimos no cais os moços que soltavam cabos que soltavam o porto, tornando a extensão da cidade uma cidade em si. Ao deixar a plataforma, o navio se tornara provedor da própria infraestrutura. Água, energia e comida deviam ser geridas ou produzidas a bordo, numa temporária e aparente autossuficiência.</p>
<p>Começou a escurecer do lado de fora e dentro de mim. No vento salgado, eu assistia as luzes de Ushuaia se “miudecerem” na saída do canal até até. Ouvia o estalo melado da sucção das ondas lambendo o casco, e as vozes abafadas por música, por distância e por paredes com várias camadas. O nosso embalo era suave apenas enquanto estivéssemos abrigados. Éramos uma casquinha de noz no oceano.</p>
<p>Entrei para tomar sorvete com sabor de letras grudadas norueguesas e cobertura de dulce de leche. Pensei que não importava se estávamos no mar báltico, no cabo da boa esperança ou nos canais chilenos. Poderíamos estar em qualquer um deles: as barreiras entre os lugares eram a capacidade do barco de existir sozinho e a vontade do capitão de nos conduzir.</p>
<p>Os navios são cidades provisórias, que deslocam e são deslocados por pedaços de outras cidades. A elas confinam, a elas recriam aos moldes das conversas com suas escalas. Dormi na cabine, que não parecia mais ser tão pequena. No meio do mar, cabia um mundo inteiro.</p>
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		<title>Por que Vitória detesta o Tubarão?</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Aug 2018 08:43:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tamara Klink]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário de bordo]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
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		<description><![CDATA[por Tamara Quanto vale estar numa cidade e poder ver o céu tocando o mar? Quanto vale abrir a janela e deixar entrar em casa o vento do oceano? Quanto vale acordar e respirar ar limpo? O grito dos remadores me acordou. Era 7 da manhã, e nosso veleiro estava ancorado em frente ao Iate [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">por Tamara</p>
<p>Quanto vale estar numa cidade e poder ver o céu tocando o mar? Quanto vale abrir a janela e deixar entrar em casa o vento do oceano? Quanto vale acordar e respirar ar limpo?</p>
<p>O grito dos remadores me acordou. Era 7 da manhã, e nosso veleiro estava ancorado em frente ao Iate Clube do Espírito Santo. </p>
<p id="f487" class="graf--p graf-after--p"><span id="more-5101"></span> Saí, pra ver as equipes de canoa havaiana, os windsurfs, os outros veleiros envolta do nosso. Eu moraria nesse lugar, pensei, ingênua.</p>
<p>Vitória me intrigou. Linda como poucas, mora perto do continente e é vizinha do oceano. Praias de água quente, calçadões pra passear, montanhas. Mas, ao andar, meus pés limpos estamparam pegadas pretas no chão. Partículas de um pó preto se espalhavam pelo barco. Impregnadas na cobertura, na vela, na janela. Dentro do pulmão. Passei a manter as janelas sempre fechadas, como fazem todos os capixabas pra controlar a sujeira que vem pelo ar.</p>
<p>Como outras cidades do Brasil, Vitória sofre as consequências da nossa estratégia econômica de exportação de minério bruto. De cara pra cidade está o Porto Tubarão, onde chegam navios de carvão e de onde saem, todo dia, parte dos maiores carregamentos de minério de ferro do mundo. Pedaços geográficos do nosso país. Partículas de minério e carvão vestem a cidade com um manto escuro. No mar, são comidas por moluscos. Comidos por pessoas. Pela gente.</p>
<p>As chaminés ardentes da mineradora redesenham o horizonte. Braços do complexo portuário, esteiras, navios, preparados pra levar embora a riqueza mineral do nosso país. Com o minério, China, Europa, Japão, compram não apenas matéria prima: compram de nós a qualidade do ar, compram o vento nas casas, compram a vista, perdida.</p>
<p>Difícil estimar os benefícios do Porto pra Vitória. Empregos são gerados, decerto. Mas essa atividade cada vez menos precisa de mão de obra humana, e cada vez mais contrata pessoas especializadas sem que elas, necessariamente, morem ali. Além disso, minério acaba, um dia. Gera recursos financeiros pra gestão pública? Pode ser. Mas quanto recurso é necessário pra compensar o bem estar e a saúde das pessoas que moram no lugar?</p>
<p>Deixarei nessa cidade perguntas sem resposta.</p>
<p>Amanhã, nossa âncora será suspensa. Por último, vou levar nosso lixo pra terra, trazer água doce, frutas frescas, e sairemos daqui olhando só pra frente. Como fazem os grandes navios, partirei, carregando apenas o que a cidade teve de melhor. Enquanto tiver.</p>
<p>&nbsp;</p>
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